Quinta-feira, 20 de outubro de 2011 A arte do planejamento
A arte do planejamento, do Jon Steel me foi recomendado pelo Felipe Senise, planejador da LewLara\TBWA, com quem tive oportunidade de trabalhar durante uma série de reuniões relativas ao lançamento do Nissan March. Ao longo desse processo, comecei a me interessar pelas questões de planejamento e a me identificar bastante com a área. Acredito que quando alguém da área de criação abre os horizontes para uma visão centrada mais no contexto e menos na peça é capaz de produzir uma comunicação mais relevante e menos efêmera, que constrói relações duradouras com uma marca em vez de disparar um processo pontual de venda.
Separei, aqui, vinte trechos da leitura do Jon Steel que me trouxeram insights inspiradores e reveladores:
1. Você acha que pelo fato de entender um, deve necessariamente entender dois, porque um e um é igual a dois. Mas você deve entender o e.
2. "Trabalho por comida" (as tradicionais placas de papelão dos homeless americanos) funciona em diversos níveis diferentes, começando pelo pressuposto de que os transeuntes sabem que a pessoa que est[a segurando o carta é um sem-teto. Isso, isoladamente, já dá por certo o fato de o transeunte ser dotado de certa inteligência. Em seguida, o cartaz segue fazendo uso de um preconceito popular que pressupõe que todos os mendigos e sem-teto são pessoas preguiçosas, isto é, não fazem nada e estão nas ruas simplesmente porque não estão interessadas em trabalhar para viver. "Trabalho por comida" quer dizer: "Ei, eu não quero só esmola, estou disposto a trabalhar para sair dessa confusão". E a natureza da confusão não se resume apenas a ser um sem-teto, ela abrange a fome. É por isso que ela está pedindo ajuda, porque precisa comer e não tem dinheiro para comprar comida. A menção à comida também aborda um preconceito: qualquer dinheiro dado a um mendigo será gasto com cigarros, bebida e drogas. É incrível se dar conta de quantos significados podem estar contidos em três palavras. Trata-se de um grande exemplo de alguém que descobriu os pontos sensíveis das pessoas que deseja influenciar.
3. Descubra a história simples do produto e apresente-a de uma forma articulada, inteligente e persuasiva.
4. O trabalho de um planejador é fazer as ideias acontecerem e não necessariamente ter as ideias.
5. Tem de haver algo de certa forma esquisito em um planejador. Quase todos os bons planejadores são um tanto fora do comum. Isso se manifesta sobretudo de duas formas: uma visão meio fora do centro nas situações e uma mistura bastante eclética de formação e interesses. (...) Uma visão sutil os arrasta para lugares e interesses estranhos que os tornam ainda mais sutis.
6. No contexto de uma agência de propaganda, a habilidade dos planejadores de olhar para a mesma informação e ver algo diferente não tem preço. Eles têm de ser capazes de absorver todo tipo de informação, dispô-las fora de ordem e reordená-las, formando novos padrões até que surja algo interessante.
7. Estamos ocupados demais medindo a opinião pública e nos esquecemos de que podemos moldá-la. Estamos ocupados demais com as estatísticas e nos esquecemos que podemos criá-las.
8. O simples fato de fazer uma pesquisa muda a situação que estamos tentando medir ou observar.
9. Todos numa empresa concluem, se dúvida nenhuma, que os consumidores são exatamente como eles.
10. Por que há uma lacuna tão grande entre o que as pessoas dizem e o que realmente fazem? Em pesquisas, muita gente tende a mostrar os hábitos e personalidades que gostariam de ter e não os que na realidade têm.
11. Se uma agência e um cliente pretendem estabelecer uma relação de sucesso com seus consumidores, não podem simplesmente aderir a um velho modelo de 300 anos de idade sobre o funcionamento das coisas. A sua pesquisa deve abraçar a imprevisibilidade inerente às pessoas. Devem reconhecer que o todo de uma marca é maior do que a soma de suas partes.
12. Os verdadeiros gigantes sempre foram poetas, homens que saltam dos fatos para o reino da imaginação e das ideias.
13. Se você acredito que só existe uma respota certa, para de procurar - e de pensar - tão logo encontra a primeira solução.
14. Um bom birefing deve atender a três objetivos principais. Primeiro, ele deve dar à equipe criativa uma visão realista do que a propaganda precisa e do que se espera que ela atinja. Segundo, deve fornecer uma compreensão clara das pessoas que a campanha ou peça deve influenciar e, finalmente, precisa dar diretrizes claras sobre a mensagem que a que o target tem mais chances de ser suscetível.
15. A criação precisa acreditar que é possível fazer uma grande campanha antes de poderem começar a criá-la. Talvez a função mais importante do briefing seja fazer a criação acreditar.
16. Agências e clientes que têm mais interesse em descobrir a solução certa do que em estarem certas tem muito mais chances de produzir camapanhas mais eficazes.
17. Uma empresa cuja força reside na inovação não espera que os consumidores lhe digam o que desejam. O público não sabe o que é possível, mas nós sabemos.
18. Essa é a essência da ciência: faça uma pergunta impertinente e você vai estar no caminho de uma resposta pertinente.
19. Um dos sinais mais certeiros do sucesso de uma campanha no mundo real é o grau com que ela consegue entrar na cultura popular.
20. Você não tem uma estratégia até ter um anúncio. Apenas uma execução memorável pode provar que a ideia estratégica intelectual e subjetiva é capaz de gerar uma execução e uma resposta tangíveis e emocionais. A melhor pesquisa e o melhor raciocínio criativo do mundo são absolutamente inúteis sem uma execução criativa de porte semelhante.
Nissan March é o mais recente lançamento da Nissan para o segmento de carros populares no Brasil. O caçula da Nissan começou a ser comercializado este mês e este é o seu folheto de lançamento, que serve como piloto para a reformulação do material gráfico de toda a linha de produtos da marca.
Patriciparam do projeto José Luís Stroher, Ricardo "Ricardinho" Lilja, Patrícia Cunha, Viviane Pisani e eu, Roger Monteiro.
R.
Terça-feira, 3 de agosto de 2011 Nissan Frontier Attack
Nissan Frontier Attack é a versão mais bandida da picape líder de vendas da Nissan. Para o seu relançamento, precisávamos criar um display que chamasse a atenção do consumidor dentro do ponto de venda em meio a outros lançamentos de final de ano da Nissan.
Em vez de comunicar os atributos do carro - força, resistência, capacidade de carga - através de textos impressos sobre um suporte, achamos mais interessante fazer com que o próprio suporte comunicasse esses atributos por si só.
Partimos, então, para a procura de um ícone que, além de sintetizar esses conceitos pudesse ter um grande poder de atração e gerar empatia com o consumidor. Dessa procura surgiu o rinocetonte, um animal grande, resistente, com uma aparência agressiva mas que, no imaginário popular, guarda uma certa docilidade, exatamente como a Nissan Frontier, uma picape forte e potente mas suave de dirigir.
Composto por dez lâminas de mdf, esse display, feito para ser posicionado na caçamba da picape traz o impacto visual desejado por um custo relativamente baixo. Além disso, sua arquitetura modular cria um jogo de volumes interessante que convida o consumidor a se aproximar e circular em torno do carro a fim de melhor visualizar a palavra ATTACK impressa em suas laterais.
Patriciparam desse safári o José Luís Stroher, comprando a idéia, e o Maurício Steinert, renderizando o bicho.
R.
Quarta-feira, 13 de julho de 2011 Nissan March
Nissan March será o primeiro carro popular da Nissan no mercado brasileiro. Ele deve ser lançado no final do ano e traz uma série de inovações para o segmento, como equipamentos de segurança e conforto exclusivos, acabamento superior e tecnologias embarcadas que só costumam aparecer por aqui em veículos de faixas de preço bastante mais elevadas.
Dentro das primeiras linhas de criação que foram cogitadas para o Nissan March, desenvolvi essa peça lúdica e rotativa, que brincava com perguntas do tipo: "Só porque é popular um carro não precisa ter segurança?" "Só porque é popular um carro precisa ser feio?" "Adianta um carro popular ser fácil de comprar, mas difícil de manter?" que procuravam fazer com que o consumidor pensasse a respeito das opções e percebesse que o Nissan March entrega mais por menos, o que faz dele um grande negócio.
Essa linha acabou sendo abandonada no percurso dos acontecimentos, mas a peça está aí como registro.
R.
Terça-feira, 12 de julho de 2011 Nossas conexões nos completam
Nossas conexões nos completam foi o tema escolhido para guiar o desenvolvimento de uma nova identidade visual de varejo para a Nokia, ainda no contexto da concorrência do posto anterior, no primeiro semestre deste ano.
Partindo do pressuposto de que o homem moderno não é completo sem as diversas conexões tecnológicas que ele estabelece em níveis social, afetivo e profissional, chegamos a essa trama de balões, ícone primeiro da comunicação e interação, que não apenas serve de fundo para imagens lifestyle, mas as invade, se confundindo com elas. Dessa forma, mais do que mero objeto de desejo ou, muitas vezes de status, o aparelho celular, enquanto dispositivo de acesso a essas conexões se torna algo que transcende sua função mecânica para desempenhar um novo papel entológico nas sociedades modernas.
Esse conceito acabou se materializando em peças de grande apelo visual, com predominância da cor institucional Nokia, de forma a promover a ocupação massiva de pontos de venda muitas vezes já saturados de comunicação concorrente. A grande mancha azul proposta pela justaposição dessas peças deveria criar uma área de não-interferência na qual o consumidor pudesse perceber e exeperienciar os produtos, serviços e a filosofia da marca.
Clique na imagem abaixo para fazer o download da apresentação completa.
Participaram do projeto Vinícius Nogueira, Rodrigo Flores, José Luís Stroher, Daniela Nunes, Miguel Casagrande e eu, Roger Monteiro.
R.
Sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 Agite seus mundos
Agite seus mundos foi o call to action que criamos para o lançamento do novo Nokia X5, um smartphone de entrada, focado no público jovem e conectado. Uma vez que o aparelho conta com diversos recursos de interação por movimento, procuramos identificar atividades dinâmicas que fizessem parte do cotidiano desse público e ajudassem a emprestar personalidade (ou personalidades) ao aparelho. Por esse caminho chegamos à criação de dois personagens, que seriam um garoto ligado em esportes radicais, uma garota relacionada ao universo da música e das baladas. Aqui temos a plataforma primária do conceito. Ao longo do processo da concorência, entretanto, ela acabou praticamente sendo abandonada enquanto layout devido ao surgimento de um key visual pré-existente para a campanha. Mesmo assim, procuramos agregar a ele alguns elementos dessa linha de raciocínio, que nos parecia bem mais consistente do que a campanha apresentada pela agência da Nokia. Embora com menor impacto visual, a derivação dessa minha forma original acabou funcionando, mas não o suficiente para vencermos a concorrência. Sometimes you win, sometimes you lose.
R.
Quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 O que é inovação para você?
Inovação é o mote da Nissan para sua nova fase de expansão no país e, partindo desse conceito escrevi esse texto como parte da apresentação para a concorrência que a CDA Design venceu recentemente.
Participaram do projeto Daniela Nunes, José Luis Stroher, Miguel Casagrande, Gustavo Nunes e eu, Roger Monteiro.
R.
Quinta-feira, 20 de janeiro de 2011 Loja de Conveniência
Estudos para uma loja de conveniência em um bairro nobre da cidade de São Paulo. A fim de humanizar e sofisticar um ambiente muitas vezes negligenciado por ser um mero ponto de passagem, buscamos aqui uma linguagem guiada pelo lúdico e pela proximidade, de modo a estabelecer um diálogo entre a loja e o consumidor enquanto torna a sua experiência mais simpática. A identidade cromática cambiante procura estabelecer a loja como um ponto-de-venda dinâmico e em constante movimento enquanto a presença do asterisco apela ao conceito de variedade do estabelecimento, onde o consumidor pode encontrar tudo o que ele mais precisa no momento em que ele mais precisa.
As figuras humanas, representadas em traço nostálgico, dominam a paisagem e seja interagindo com os principais produtos da loja, seja assumindo funções informativas ou decorativas, em conjunto com a paleta de cores que remete aos tons do café - tanto em seu estado de bebida como em seu estado de fruta - configuram um conjunto com apelo familiar que convida o consumidor a permanecer no estabelecimento por mais tempo, agregando qualidade à sua experiência.
Participaram do projeto Daniela Nunes, Alexandre Grivicich e eu, Roger Monteiro.
R.
Quinta-feira, 20 de janeiro de 2011 Nissan Leaf
Nissan Leaf é a nova aposta da Nissan no segmento de automóveis elétricos, nicho ao qual ela se dedica desde 1949, como o Tama. A partir do raciocínio de que o grande ponto de rejeição ao carro elétrico está no fato de as pessoas não saberem exatamente como essa teconologia se comporta, pensamos nessa linha de comunicação que procura deixar claro que, para o motorista, não há diferença entre dirigir um veículo com motor a combustão ou um veículo movido a eletrecidade, embora do ponto de vista da economia de recursos o carro elétrico seja uma alternativa super inteligente.
Dessa forma, estaríamos conversando não apenas com o público ecologicamente consciente, que já se interessaria pelo Leaf espontaneamente, mas também o estaríamos introduzindo como uma opção viável e familiar a um tipo de consumidor para quem a questão ambiental não está no topo das preocupações e não seria um fator de decisão relevante.
R.
Segunda-feira, 23 de agosto de 2010 Syntium
Syntium é a marca de lubrificantes de peformance da Petronas. Este espaço para troca de óleo foi desenvolvido tendo em mente uma estratégia de ocupação de pequenas redes regionais de postos de combustível no centro e norte do país a fim de incrementar a presença da marca em pontos-de-venda sem bandeira.
R.
Quarta-feira, 19 de maio de 2010 Grafismos
Estudos de grafismos para fachada de loja de uma grande rede de supermercados do centro do país. Essa loja pretende se tornar uma plataforma de lançamento para experimentações da marca, testando novas linguagens aplicadas ao baixo varejo.
R.
Segunda-feira, 116 de maio de 2010 Grafismos
Estudos de grafismos para fachada de loja de uma grande rede de supermercados do centro do país. Essa loja pretende se tornar uma plataforma de lançamento para experimentações da marca, testando novas linguagens aplicadas ao baixo varejo.
R.
Terça-feira, 13 de maio de 2010 Mousseria
Mousseria é um cliente antigo que está retomando suas atividades. Provavelmente seja um dos meus clientes mais queridos, que sempre me proporcionou oprotunidades criativas bastante interessantes.
Este é o projeto para o seu hotsite de (re)lançamento com um novo modelo de negócio que, certamente, vai alavancar negócios e colocar a marca em um novo patamar.
Boa sorte ao Marco, ao Diego e ao Titi com essa nova fase da Mousseria.
R.
Terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 Cinque Marie
Cinque Marie é uma pequena fábrica de massas artesanais e a estréia de uma amiga no mundo dos negócios.
É uma marca que se baseia em conceitos de tradição, cuidado, família e sabor. A paleta de cores em tons de amarelo, oliva e marrom descende do trigo e da madeira enquanto o nome faz referência às cinco gerações de Marias na família da proprietária, ao longo das quais as receitas de seus procutos foram sendo aperfeiçoadas até chegar ao estado atual.
R.
Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 Sony Playstation
Sony Playstation dispensa apresentações, e vocês podem imaginar o quão bacana é desenhar para um cliente assim.
Essas são lâminas de apoio gráfico aos displays de experimentação dos consoles, que devem chegar em breve às grandes redes de varejo. Elas procuram englobar os principais nichos de jogos oferecidos para o sistema e se valem das chamadas para evidenciar a presença do produto no ponto-de-venda, fazendo relação direta com os inúmeros mundos de fantasia para os quais ele pode transportar o consumidor.
Já como parte integrante de ambientes de experimantação premium, desenvolvidos para lojas âncora de grandes shoppings em nível nacional, foram criados esses painéis conceituais mais neutros, que linkam o Playstation àsa forças da natureza como o fogo e o relâmpago, fazendo alusão ao caráter de extremismo das tecnologias empregadas em seus novos consoles bem como a adrenalina que seus diferentes universos de aventura podem despertar. A presença lúdica dos símbolos característicos impressos no joystick do videogame reforça a identificação imediata dos painéis pelos seus públicos de relacionamento.
Essas peças foram desenvolvidas na CDA Design, sob a direção de criação de José Luís Ströher.
R.
Quinta-feira, 3 de setembro de 2009 Souza Cruz
Souza Cruz é a maior e mais antiga companhia de cigarros do Brasil.
A fim de imprimir personalidade ao seu parque gráfico na unidade de Cachoeirinha, foi proposta uma série de painéis decorativos que se relacionam com os diversos ambientes do prédio, em diferentes níveis.
Basicamente, parti da utilização de elementos que fazem parte do universo das artes gráficas para criar peças que façam sentido não apenas para os profissionais que transitam por esses ambientes diariamente, mas também aos eventuais visitantes, de modo que essa comunicação não se torne enfadonha aos técnicos ou indecifrável aos leigos.
Em um segundo nível de leitura, as peças procuram resgatar e celebrar a história da Companhia Souza Cruz, através da valorização das embalagens de suas linhas pioneiras de produtos, não apenas marcando a evolução de suas marcas, mas também a própria evolução dos processos gráficos empregados em seus impressos.
Esta proposta, desenvolvida para a agência Nitro/Ilimitada venceu a concorrência realizada no final do mês de agosto e já se encontra em fase de implantação.
R.
Quarta-feira, 26 de agosto de 2009 Maragatos Moto Grupo
Maragatos foi o nome escolhido por alguns amigos para batizar o seu moto grupo, fundado este ano. Concebi esse brasão procurando me afastar ao máximo dos excessos que regularmente são cometidos dentro dessa estética motociclística, de modo a obter uma imagem que fosse rica em conceito, forte visualmente e, ao mesmo tempo, estivesse inserida dentro de uma tradição.
Com a utilização racional de elementos recorrentes na identidade de produtos e entidades da custom culture, creio que a composição seja facilmente reconhecida enquanto símbolo, em uma abordagem geral, e consiga contar toda uma pequena história quando analisada em seus detalhes mais específicos.
Fiquei bastante contente com o resultado e mais contente ainda em poder ver a marca cruzando as estradas.
If you ever plan to motor west...
R.
Segunda-feira, 16 de março de 2009 Extra Eletro
Extra Eletro é a divisão dos hipermercados Extra, pertencentes ao grupo Pão de Açúcar, especializada na venda de eletrodomésticos, eletrônicos, móveis e utilidades para o lar, com foco principal nas classes C e D e lojas espalhadas por diversas cidades do estado de São Paulo.
Quando desenho para pessoas com menor poder aquisitivo procuro tomar um cuidado redobrado para não ceder aos apelos estereotipados que nos empurram para a construção de linguagens visuais de gosto duvidoso. Não acredito, realmente, que o senso estético de uma pessoa seja diretamente proporcional à sua renda mensal e acho extremamente perigoso lançar um projeto de design a partir de uma plataforma baseada nesse tipo de preconceito. É claro que ao desenhar para um público mais simples não podemos recorrer a determinadas referências que exigiriam uma bagagem cultural elaborada para serem decodificadas, mas isso não quer dizer que esses códigos visuais precisem abandonar qualquer refinamento ao ponto de parecerem intencionalmente desleixados. De qualquer forma, para este projeto não foi preciso combater esse tipo de preconceito, uma vez que tanto o cliente como a diretoria de criação da CDA já tinha uma idéia muito clara de que oferecer um ambiente de compra tão atrativo quanto os preços é uma ótima política.
A partir da ideia de que nessas camadas sociais o ato da compra de um bem de valor mais elevado representa o coroamento de meses de poupança e planejamento, procuramos criar um ambiente festivo, que potencializasse esse espírito de sonho realizado. Isso se traduz no reforço textual do benefício do produto - que coloca um televisor como diversão, ou um sofá como conforto - e na utlização de uma paleta multicolorida, além da inserção esporádica de elementos que apelem aos conceitos de família e lar.
O projeto foi implementado enquanto piloto na loja Extra Eletro Santo Amaro, e em breve deve ser replicado para os demais pontos-de-venda da rede.
Participaram da criação do projeto Daniela Nunes, José
Luís Ströher, Eduardo "Dudu" Albuquerque e eu, Roger Monteiro.
R.
Quarta-feira, 11 de março de 2009 Biaggio Pizzeria
Biaggio Pizzeria serve pizzas à la carte como uma extensão do News Pub, casa noturna que funciona na noite de Porto Alegre desde 2005.
Para a criação desta proposta de identidade, procurei me afastar do que geralmente se espera da logotipia de uma pizzaria, com elementos étnicos estereotipados, ou mesmo de uma linguagem mais iconográfica, direcionando a composição para o que poderia ser mais um web splash do que um logotipo propriamente dito.
Intencionalmente, essa marca sofre uma influência bem evidente da escola norte-americana, em que fatores como aplicabilidade parecem importar bem menos do que o simples impacto visual na resolução de um sistema gráfico. Raramente sigo por uma linha tão prolixa quando se trata de um logotipo, mas como minha diretriz era fugir do lugar comum, comecei me desapegando da idéia pré-concebida de que o conceito pizza precisa se relacionar com a Itália, quando ela já transcendeu essas fronteiras geográficas e culturais há muito tempo. Minha interpretação foi buscar a referência da comunidade ítalo-americana, da Chicago de gangsters em ternos risca-de-giz e prósperas barrigas, que invariavelmente sentam à mesa do fundo para apreciar aquele que talvez, depois da língua, seja o elemento de união mais poderoso de uma etnia: sua gastronomia.
O projeto acabou tomando um outro rumo, adotando uma linguagem mais literal e ortodoxa, sem essa carga de personalidade tão pesada. De qualquer modo, não tenho certeza se a marca poderia de fato funcionar, embora, enquanto exercício criativo ela ainda me pareça bastante boa.
R.
Segunda-feira, 9 de março de 2009 HSBC Arena
HSBC
Arena é um espaço para eventos esportivos e culturais
na cidade do Rio de Janeiro, construído originalmente para
os Jogos Pan-americanos de 2007 e adotado pelo HSBC Brasil
pouco tempo depois.
Este projeto de sinalização e ambientação, desenvolvido na CDA Design e atualmente em fase
de implantação, procurou valorizar estrategicamente a marca
do patrocinador, fazendo com que o HSBC se apropriasse do
espaço de uma forma não-agressiva, colocando-se mais como
parceiro do que invasor de um espaço que, até o momento, era
percebido como público.
Assista ao vídeo da apresentação:
Partindo da cor dominante da paleta do HSBC, uma linha contínua
vermelha é utilizada como elemento de ligação entre os diferentes
espaços, assumindo papéis ora decorativo, ora informativo.
A fim de quebrar a atmosfera de frieza e corporativismo que
geralmente vem atrelada à imagem de uma instituição financeira,
optou-se por dar destaque ao elemento humano, que pode ser
percebido logo no pórtico de acesso do complexo, guardado
por quatro gigantescos bonecos em posições dinâmicas. Na fachada
e no interior do prédio essa opção pelo gestual fica evidente
nas grandes imagens de pessoas que, ao se relacionarem com
elementos que remetem à identidade do banco, procuram demonstrar
que o HSBC, ao investir nesse espaço, incentiva sua efetiva
ocupação pelas mais diversas atividades da sociedade em que
se insere, heterogênea por natureza e, justamente por isso,
rica.
Participaram da criação do projeto Átila Franco, Daniela Nunes, José
Luís Ströher, Andréa Menezes, Vinícius Nogueira e eu, Roger Monteiro.
R.
Quinta-feira, 6 de março de 2009 Design Crimes
Design Crimes foi o título de um de meus portfolios virtuais nunca publicados. Concebido no início de 2005, sob uma tardia influência de designers anárquicos como David Carson, Mark Allen, Alessandro Bavari e Vaughan Oliver, este projeto partia de uma premissa bastante interessante, ao estabelecer uma íntima relação entre a prática do design e o ato criminoso, na medida em que ambos procuram atingir um resultado específico através da subversão de uma ordem estabelecida natural ou arbitrariamente.
"O crime é a manifestação máxima do espírito livre primitivo e inerente ao humano, profundamente enraizado em sua parcela mais animal, visceral, não corrompida pelo conjunto de regras morais que a organização das sociedades ditas civilizadas engendram para moldar o homem de acordo com suas necessidades. Em sua essência todo ato criativo é criminoso por excelência, uma vez que se eleva para acima da inércia natural. Ao manchar a imaculada brancura da página vazia o designer comete um crime contra a normalidade, transgride a ordem, flerta com o caos para dessa relação extrair o belo".
Após cinco anos trabalhando como designer em diferentes frentes, eu começava a fundamentar algumas idéias bastante sólidas, que seriam melhor lapidadas nos próximos anos para formar a minha filosofia de trabalho atual.
"Parto da premissa que a melhor das formas jamais passará de geometria vazia quando não apoiada por um conceito claro, sólido e rico em referências externas a si própria. Procuro fazer com que meu trabalho não acabe praticando a autofagia da qual o mercado se nutre porque acredito que toda arte ou engenho humano incapaz de absorver idéias diversas e transitar entre mundos paralelos está fadada ao fracasso".
A abordagem visual prolixa e a paleta de cores limitada garantia que Design Crimes tivesse um grande impacto visual à primeira vista, ao mesmo tempo em que se tornava praticamente insuportável para uma convivência mais prolongada, como a que eu seria obrigado a estabelecer com o site a fim de atualizá-lo periodicamente. Este foi o fator determinante para que o projeto fosse deixado de lado antes mesmo de sua publicação.
Alguns crimes compensam mais do que os outros.
R.
Quarta-feira, 5 de março de 2009 Casino Billionaire
Casino Billionaire é uma rede de portais voltados para o nicho das apostas online. Apresentando notícias e links para diversos websites de apostas, sua linguagem evoca o universo multicolorido e glamouroso de Las Vegas, meca dos cassinos, utilizando para isso imagens relativas à sorte, à vitória e ao dinheiro, com um toque de sex appeal. Sua construção coloca como principal desafio aliar essa estética de alto impacto visual a um sistema gráfico capaz de organizar a infinidade de banners de anunciantes que disputam agressivamente a atenção do visitante.
R.
Terça-feira, 4 de março de 2009 DNA Biker´s Lounge
DNA Biker´s Loungeé uma empresa paulista especializada em projetos de customização e fabricação de peças especiais para motocicletas. Este splash para website se baseia em elementos básicos ao trabalho de construção de motos, como o metal e o fogo e, embora busque inspiração em conceitos de agressividade e ousadia, não abre mão dos valores tradicionais old school muito valorizados pelos amantes deste tipo de máquina, grupo este em que me incluo.
R.
Segunda-feira, 3 de março de 2009 Por que não começar por aqui?
Existem algumas questões em relação ao exercício do design que se mostram um pouco mais complexas do que as corriqueiras escolhas de tipos, cores e alinhamentos. E é verdade que essas questões, por tratarem de matérias abstratas e praticamente não-mensuráveis, tendem a serem soterradas justamente por esse aspecto técnico, que usa a pragmática como um pretexto raso, ainda que válido, para nos incentivar a abrir mão do criticismo, enquanto perseguimos a solução mais rápida, mais fácil, e mais eficiente. Ironicamente, este mesmo já é um bom exemplo desse tipo de questão.
Se voltarmos às origens do que hoje entendemos como design, entretanto, e o aceitarmos como um filho bastardo da linha de montagem e da produção em massa, podemos concluir que esse traço autômato em que frequentemente nos perdemos talvez estivesse na essência da própria atividade desde sua gênese, embora muitos de nós não nos conformemos em apartar completamente a nossa produção de um certo aspecto artístico, o que por si só talvez já seja a mais controversa questão que diz respeito à nossa profissão. Mas será realmente necessário que nos tornemos uma parte da engrenagem de Chaplin, alheia a qualquer ponto de interrogação que se relacione mais com o conceito do que com o orçamento e o prazo?
Não se trata de messianismo mas, ainda que minha última intenção seja adotar esse caráter panfletário, tão ao gosto de uma esquerda zapatista caricata, a sorte está lançada, e acredito que este seja um bom fórum - unilateral - para nos atirarmos a algumas divagações pseudo-teórico-filosóficas sobre essa atividade de amor e ódio que ocupa mais espaço em nossas vidas do que todas aquelas outras coisas que poderiam fazer nossa espécie subir um degrau a mais na escala evolutiva, desde que nos comprometamos a fazer tudo isso dentro do prazo e sem estourar o orçamento.